
A Capcom revelou, durante uma reunião com investidores nesta segunda-feira (23), que é a favor do uso da inteligência artificial durante o desenvolvimento dos jogos.
Apesar de enxergarem essa tecnologia como benéfica, eles impõem limites para que não seja o fio condutor que vai guiar os seus títulos e franquias aclamadas no futuro.
“Nossa companhia não implementará materiais gerados por IA em conteúdo de jogo. Porém, planejamos utilizá-la ativamente para aprimorar a eficiência e produtividade em todo o processo do desenvolvimento. No momento, exploramos caminhos para usá-la em várias áreas como gráficos, som e programação”, aponta a Capcom.
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Em 2025, a produtora já revelou que trabalhava em conjunto com a Google Cloud para utilizar a tecnologia no sistema criativo. Agora, eles apontam que vão explorar a inteligência artificial em outros núcleos para reduzir o tempo de produção — que se torna cada vez mais longo nesta indústria.

Polêmicas e inteligência artificial
Há uma grande resistência do público em aceitar o uso de IA nos games, com diversas polêmicas vistas apenas nos últimos meses. O estúdio Sandfall Interactive, responsável por Clair Obscur: Expedition 33, perdeu um prêmio por ter usado o recurso em determinada etapa do seu desenvolvimento.
A Pearl Abyss, que trouxe recentemente Crimson Desert, pediu desculpas publicamente por ter usado a ferramenta e mantido seus elementos na versão que chegou ao público. Eles apontam que a comunicação das companhias com os fãs sobre o assunto deve ser mais aberta daqui em diante.
We would like to address questions regarding the use of AI in Crimson Desert.
During development, some 2D visual props were created as part of early-stage iteration using experimental AI generative tools. These assets helped us rapidly explore tone and atmosphere in the earlier…
— Crimson Desert (@CrimsonDesert_) March 22, 2026
A mais barulhenta, porém, envolve o DLSS 5 da NVIDIA. A nova ferramenta de upscaling promete revitalizar os jogos com um novo filtro criado por inteligência artificial e abriu um debate que preocupou uma grande parcela do público nas redes sociais.
Entre as discussões, foi revelado que a técnica poderá “atropelar” a visão artística de um estúdio sobre determinados títulos — o que pode levar alguns deles para o “Vale da Estranheza”, no apelo de trazer um ultra realismo a todo custo.
A posição da Capcom
No entanto, vale notar que a Capcom teve o mesmo tipo de abordagem já vista em casos como o da Take-Two Interactive. O CEO da companhia, Strauss Zelnick, já revelou que “analisava instâncias nas quais as ferramentas de IA generativa reduziam os custos e aumentavam a eficiência”.
Ambas têm um posicionamento claro de não usá-la para a criação de conteúdo em jogos. O temor do público é que a produtora cometa o mesmo erro visto pela Pearl Abyss e Sandfall Interactive — de incluir assets feitos por inteligência artificial e “se esquecerem” de trocá-los na versão final.
Se a situação gera debates em franquias como Crimson Desert e a novata Clair Obscur, imagine a polêmica que causaria se fosse vista em nomes de peso como Resident Evil, Mega Man, Street Fighter, Devil May Cry e Monster Hunter? Todavia, nada indica que esse será o caminho que tomarão.
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