
Papo Reto: estão vendendo aluguel como se fosse vantagem.
Ainda que a obtenção de eletrônicos por assinatura não seja exatamente uma novidade, ela parece ter se fortalecido nos últimos meses. Empresas gigantes, como a HP e a Sony, estão apostando cada vez mais em um modelo que demanda uma visão crítica sobre o que significa realmente obter um produto.
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Em geral, o modelo de negócio é bastante similar em relação às duas marcas. Pagamentos mensais garantem acesso ao produto, normalmente com um período mínimo de fidelidade. Ao final do contrato, basta devolver o equipamento à marca, ou renovar por um período estendido.
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“Não ter nada e ficar feliz com isso”, pagando mais
A frase “Você não vai ter nada e será feliz”, proferida pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial de 2016, tem gerado discussões desde então. Críticos apontam que essa noção é um ataque claro à ideia de controle de propriedade individual, para que tudo fique nas mãos das grandes corporações.
Para o consumidor, esse modelo se mostra bastante problemático em vários pontos. Há um baixo custo de entrada, já que não é preciso pagar o preço completo pelo produto logo na aquisição. Ou seja, isso tende a trazer um apelo maior para parcelas com níveis de renda menores. Mas, na prática, é um exemplo evidente de que “o barato sai caro”.
No caso da Sony e da assinatura de seu PlayStation 5, o Canaltech já fez as contas: o preço mensal cobrado pela marca japonesa supera o valor da compra do console após apenas três anos. O leitor deve concordar que um produto como esse costuma ser adquirido para jogar por mais tempo que isso.

Além disso, não há como esquecer um dos problemas primordiais do contrato de aluguel: trata-se de uma forma de pagar grandes montantes, e não acumular nenhum patrimônio no processo. Não há como vender o PS5, ou usá-lo como parte do pagamento para comprar alguma coisa nova.
Então, por que esse modelo de negócio existe? Principalmente por ser benéfico para as empresas.
Tudo pela fidelização
O mercado de produtos de tecnologia, em seus diversos segmentos, está em um estágio de fidelização. Afinal, as grandes empresas já estão consolidadas, e por isso não precisam necessariamente inovar para continuar aumentando as taxas de lucro. O importante é manter uma receita recorrente.
No caso de empresas como a Sony, que detém praticamente metade da fatia de mercado no segmento de consoles, torna-se essencial manter os consumidores que já estão nesse ecossistema. Em um contexto de estabilização nos avanços tecnológicos de hardware, é preciso fazer isso com os novos modelos de negócio.
Essa questão é ainda mais evidente na categoria de smartphones, em que Apple e Samsung têm amplo domínio a nível global: dos dez celulares mais vendidos do planeta, todos são de uma ou outra marca, de acordo com os levantamentos mais recentes da Counterpoint Research.
Mesmo em diferentes segmentos, o resultado é semelhante: saltos tecnológicos tornam-se secundários. A prioridade é oferecer um ecossistema integrado entre diferentes dispositivos — que tal comprar um celular e levar um fone de ouvido como brinde?
Por vezes, isso é ressaltado pelas próprias marcas. A Samsung, por exemplo, lançou o anel Galaxy Ring com um argumento aberto de fortalecer o ecossistema.
No contexto dos contratos de aluguel, é preciso tomar cuidado com a possível abertura para níveis mais perversos. Nada impede que uma empresa com alto poder de mercado aumente o preço do produto “comprado” para incentivar o sistema de assinatura, enquanto vende uma ideia de melhor custo-benefício.
Pitacos da semana:
- Apenas três meses após o lançamento, a Samsung parece ter encerrado as vendas do Galaxy Z TriFold. O motivo é estranho: o produto seria considerado uma espécie de “protótipo que chegou ao mercado”, sem total viabilidade financeira para disponibilização em massa. Na prática, o anúncio soa como uma medida apressada para rivalizar com o Huawei Mate XTs e não perder a imagem de “pioneira em dobráveis”. Com as notícias recentes, difícil dizer que funcionou;
- O iPhone 19e pode ganhar suporte para tela de 120 Hz e finalmente se equiparar a alguns Androids básicos da Samsung e Motorola. Para um celular que deve ter preço na faixa de R$ 6 mil, antes tarde do que nunca.
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